Alamanaqueiras: ou não queiras.

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Do Joesley pro Temer: . - Você também tá com um corpitcho em cima, Miché! - Tomo suco detox de couve e pepino, Jojo!

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as Pílulas do Edu

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Giuseppe Tomasi di Lampedusa, "O Leopardo".

Fonte: Desculpe a Poeira




a democracia é essencial.

Brasil precisa de um novo pacto político que enfrente a desigualdade 

Nabil Bonduki 





A reportagem da Folha sobre os decasséguis –brasileiros descendentes de japoneses que foram trabalhar no país asiático nas "décadas pedidas" de 1980 e 1990– é muito oportuna. O drama desses emigrantes mostra que sair do país não é opção.

Catorze milhões de desempregados e autoestima em baixa (47% sentem vergonha do Brasil e só 7% aprovam o governo) explicam por que muitos pensam que a solução está no exterior. Entre 2011 e 2016, o número dos que foram trabalhar fora aumentou 130%, com tendência de crescimento.

O caso dos decasséguis mostra o ônus dessa alternativa. Dos 400 mil que migraram para o Japão, metade foi forçada a voltar após a recessão de 2008 e o terremoto de 2011.
Os filhos desses emigrantes, levados ainda crianças ou nascidos lá, sofreram discriminação, bullying e desadaptação. Ao voltarem, não tinham identidade, referências culturais ou amigos. Mal sabiam ler e escrever em português.

Seus pais, após 20 anos de jornadas de até 16 horas e preconceitos, voltaram desempregados, desambientados e sem ter onde morar. Vivem dramas como alcoolismo e depressão.

Hoje, a situação é ainda mais difícil. O fluxo migratório explodiu, com refugiados de guerras e deslocados por problemas climáticos e econômicos. A intolerância e o xenofobismo cresceram assustadoramente. Setenta muros cercam países receptores, como os EUA; em 2001, eram apenas 17.

Achar que nossa solução está no exterior é uma ilusão. O Brasil pode oferecer trabalho e qualidade de vida, pois é um dos países mais viáveis do mundo, com dimensão continental e posição estratégica.

O país tem baixa densidade demográfica, terra agricultável abundante, recursos naturais fartos, infraestrutura e parque produtivo estruturado. Cidadãos criativos, riqueza cultural e desenvolvimento científico e tecnológico. A maior biodiversidade do planeta, sem grandes catástrofes climáticas.

Muitos dizem que o problema são os políticos. Na verdade, nosso problema é uma elite econômica e social tosca e mesquinha, que controla o sistema político, em especial o Legislativo, para manter privilégios e uma das piores distribuições de renda do planeta.

Uma elite que acumula riqueza em vez de distribuí-la. Que depreda o ambiente para ampliar seu patrimônio. Que prefere ser rentista a investir na produção. Que sonega impostos, impedindo a garantia de direitos sociais. Que mantém privilégios no aparelho estatal e monopólio na mídia eletrônica.

A crise que atravessamos é uma oportunidade para o surgimento de um novo pacto político, que agregue parcelas expressivas da sociedade para formular um projeto de desenvolvimento capaz de alterar a secular desigualdade e dar um rumo para o país. Para tanto, a democracia é essencial. 

É preciso dar tempo para que o processo eleitoral os revele.

Extinção KT

 Helio Schwartsman 




A extinção dos dinossauros na passagem do Cretáceo (K) para o Terciário (T) abriu uma série de nichos ecológicos que permitiram que os mamíferos prosperássemos. Minha impressão é que a Lava Jato deve desempenhar na política papel semelhante ao que teve a extinção KT sobre a biodiversidade.

A pesquisa Datafolha publicada segunda mostra Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro bem posicionados para o pleito de 2018, mas vejo-os como um par de tiranossauros que ainda perambulam pela Terra no final do Cretáceo, mas que não têm diante de si um futuro muito brilhante. Digo isso porque suas taxas de rejeição são elevadas —46% no caso de Lula e 30% no de Bolsonaro, que, entretanto, ainda é desconhecido por quase 40% do público.

Mais do que isso, o repúdio a esses dois candidatos, creio, é do tipo bem consolidado. Mesmo um bom marqueteiro teria dificuldade para torná-los palatáveis para a população que pegou raiva do PT ou que não compactua com ideias de extrema direita. E, numa eleição em dois turnos como a nossa, postulantes com alta rejeição enfrentam dificuldades.

O teorema do eleitor mediano, embora de vez em quando pareça falhar, como foi o caso de Donald Trump, que venceu com um discurso radical, continua em vigor. A eleição nos EUA, vale frisar, não é em dois turnos. Na verdade, não é nem direta e, se ali vigorasse o princípio do "um homem, um voto", Hillary Clinton teria triunfado com quase 3 milhões de sufrágios a mais que Trump. Um caso como o de Emmanuel Macron, que venceu na França justamente por ser o candidato não extremista e não metido em escândalos, me parece mais típico que o de Trump.

É claro que períodos turbulentos aumentam o risco de elegermos aventureiros, mas existe uma avenida ecológica para que surjam nomes capazes de fazer frente à dupla Lula-Bolsonaro. É preciso dar tempo para que o processo eleitoral os revele. 

"O Botafogo não é de nada!".

João Saldanha era o anti-Nelson Rodrigues

Alvaro Costa e Silva 


SÃO PAULO, SP, BRASIL, 26-05-1969: Futebol: João Saldanha, técnico de futebol, jornalista e escritor. (Acervo UH/Folhapress. Negativo: 12818-67)


João Saldanha, cujo centenário de nascimento comemora-se em 3 de julho, garantia —e ai de quem duvidasse dele!— que comeu poeira chinesa atrás de Mao Tsé-tung na Grande Marcha e no Dia D desembarcou na Normandia com o general Montgomery.

Saldanha também esteve, de 1950 a 1990, em todas as Copas do Mundo, como analista de futebol e torcedor. Contava que só perdeu a primeira, em 1930, no Uruguai, porque preferiu prestigiar uma corrida de cavalos em cancha reta, "a mais importante e célebre das fronteiras", realizada perto do seu Alegrete (RS) natal. Também viu, em 1933, a grande vitória de Mossoró no primeiro Grande Prêmio Brasil de Turfe.

Segundo Rubem Braga, era "um cara que não perdeu o topete gaúcho e incorporou muito da malícia carioca". Famoso no Brasil inteiro, costumava ser parado na rua. Menos no Rio. Aqui, era reconhecido, mas o sujeito fingia que não dava bola e esperava certa distância para gritar pelas suas costas: "O Botafogo não é de nada!".

Dos múltiplos Joões —líder estudantil, dono de cartório, brigão, mitômano, comunista de carteirinha, jogador de basquete, ator de cinema, candidato a vice-prefeito, comentarista de rádio e televisão, cartola que levou Didi para General Severiano, selecionador das "feras" no Mundial do México, o Sem-Medo— destaca-se o cronista esportivo. Batucando nas pretinhas, foi, por excelência, o anti-Nelson Rodrigues. Ao hiperbólico e homérico de Nelson, Saldanha contrapunha o coloquial das esquinas. Escrevia como se estivesse conversando na roda de amigos da rua Miguel Lemos, em Copacabana.

Dicas de leitura: o recém-lançado "As Cem Melhores Crônicas" (LivrosdeFutebol). Ou a nova edição de "Os Subterrâneos do Futebol" (Lacre). Meu exemplar autografado de "Meus Amigos" (Mitavai) emprestei e nunca mais vi de volta. Vida que segue.

ainda subsistem homens doentes que se julgam imortais.

Políticos deveriam fazer exames psicológicos e neurológicos regulares

JP Coutinho

O poder corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente. É um dos ensinamentos mais conhecidos de Lord Acton (1834-1902). Assino embaixo.

Experiência pessoal: em 20 anos de jornalismo, conheci muitos políticos e entrevistei vários. Com raríssimas exceções, todos exibiam um nível de imbecilidade que me impressionava e assustava. Não existem diferenças ideológicas. Bastava ocuparem lugares de poder para a imbecilidade se manifestar.

Cautela: não falo de "imbecilidade" no sentido prosaico do termo -burrice, estupidez, ignorância- embora existissem exemplares que também cumpriam esse papel.

Não, não. Falo de um outro tipo de imbecilidade: uma certa alienação face ao mundo, como se este mundo não existisse. Eu, modestamente, habitava o planeta Terra. Eles já estavam numa galáxia distante, onde os gestos, a linguagem e até o senso comum dos terráqueos deixavam de fazer sentido.

Tempos depois, quando assistia à queda de alguns -por incompetência, impopularidade ou até corrupção-, o que espantava não era apenas a infantilidade dos delitos. Era a surpresa dos personagens perante a queda.

Como se um gigante meteorito tivesse aterrado em cima das suas cabeças. Como explicar tanta alienação?

A ciência acaba de dar uma ajuda. Leio na "Atlantic Monthly" um artigo de Jerry Useem que recomendo. Conta o autor que a psicologia e as neurociências têm chegado às mesmas conclusões: o poder pode provocar no cérebro uma espécie de lesão.

Dacher Keltner, psicólogo de Berkeley, e Sukhvinder Obhi, neurocientista canadense, estudaram o assunto. Em termos comportamentais (Keltner) ou neuroestruturais (Obhi), o poder tende a inibir a capacidade empática dos poderosos.

Explico melhor. Todos somos seres sociais. Todos agimos e reagimos de acordo com o reflexo que obtemos dos outros. Nenhum homem é uma ilha, já dizia o poeta.

Em situações de poder, essa dinâmica se altera, até por razões conjunturais: o homem poderoso tende a rodear-se por uma corte de bajuladores que aplaude automaticamente as suas palavras e gestos.

Sem nenhuma sinalização exterior e dispondo de recursos que escapam aos meros mortais, o homem poderoso caminha na escuridão como se estivesse em pleno dia.

Para os meros mortais, os seus atos podem ser impulsivos, nefastos ou simplesmente criminosos. Para ele, são necessários, benéficos e muito acima da moralidade comum. Ele é um caso de impunidade porque os circuitos inibitórios estão, digamos assim, anestesiados.

Para a ciência, essas lesões podem ser temporárias ou duradouras. Mas existe uma forma de aliviar ou reverter os sintomas: por meio de lições de humildade. Como, por exemplo, recordar a um homem de poder os momentos da sua vida em que ele rastejou por este vale de lágrimas. Dizem os pesquisadores que o cérebro, até do ponto de vista imagiológico, volta a funcionar direito quando há essa "suspensão da irrealidade".

Nada que os antigos não soubessem já. O imperador Marco Aurélio, caminhando por Roma, fazia questão de ter um escravo ao lado para lhe dizer ao ouvido: "És apenas um ser mortal". Mas Marco Aurélio, apesar de mortal, era também um sábio -e a democracia não é o regime dos sábios.

Se as relações entre o poder e o cérebro podem ser problemáticas para os cidadãos, alguns ajustes inspirados pela ciência deveriam ser tentados.

O primeiro seria tornar os mandatos mais curtos (e, obviamente, não renováveis). Encurtar o tempo no poder é uma forma de profilaxia para que as loucuras da dominação não deformem a cabeça humana.

O segundo é admitir que mesmo mandatos curtos podem fazer os seus estragos. Deveria existir uma cláusula constitucional que obrigasse titulares de cargos políticos à realização de exames psicológicos e neurológicos regulares. Só com resultados limpos seria possível continuar.

Finalmente, se as lições de humildade tendem a repor equilíbrios perdidos, defendo há muitos anos a revitalização histórica do "bobo da corte": depois das reuniões formais, o bobo entrava em cena para ridicularizar severamente o líder e os seus asseclas. O bobo seria intocável e inimputável.

Por outro lado, qualquer presidente ou ministro deveria ser obrigado a viver uma semana de cada mês nas mesmas condições de quem recebe o salário mínimo. Para adquirir uma certa perspectiva em falta.

"És apenas um ser mortal", dizia o escravo ao imperador. Felizmente, já não há escravos. Mas ainda subsistem homens doentes que se julgam imortais.

"Ricardo", "Celso", "Edgar" e "Coronel"

A questão a ser investigada é o papel de Michel Temer

Marcelo Coelho



Para fins de comparação: a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra Lula, no caso do tríplex do Guarujá, tinha 149 páginas. A que Rodrigo Janot acaba de divulgar, contra Temer e seu ex-assessor Rodrigo Loures, tem 60.

Para Janot, o presidente "recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Loures, vantagem indevida de R$ 500 mil, ofertada por Joesley Batista, proprietário do grupo J & F, tendo sido a entrega dos valores realizada por Ricardo Saud, executivo do grupo".

A célebre "compra do silêncio" do ex-deputado Eduardo Cunha, que levaria à acusação de obstrução da Justiça por parte de Temer, não é mencionada. Em outro documento, a PGR afirma que seria necessária uma análise mais cuidadosa, aprofundada e responsável para formar opinião sobre isso.

A gravação da conversa entre Joesley e Temer, entretanto, tem sua autenticidade reafirmada e justifica pontos fundamentais da denúncia.

O principal, para a Procuradoria-Geral da República, é que o dono da JBS estava interessado em ter pessoas favoráveis a seus interesses em vários órgãos federais, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e a Receita.

Rodrigo Loures teria se prontificado com Joesley a levar alguns nomes para que Temer fizesse as nomeações. Havia, ademais, um problema específico no Cade, órgão encarregado de combater práticas monopolísticas na economia.

Uma empresa do grupo JBS em Cuiabá se queixava dos preços impostos pela Petrobras na venda de gás natural. Deixaria de perder R$ 1 milhão por dia se lhe fosse permitido comprar gás diretamente na Bolívia, em vez de passar pela Petrobras. Rodrigo Loures foi então acionado por Joesley para intervir junto ao Cade.

O problema é que, aparentemente, segundo depoimentos de funcionários do Cade, Loures não conseguiu alterar nenhum procedimento usual nas decisões do órgão –apesar de ter falado em nome de Temer.

Acontece que, no dia 13 de abril de 2017, o preço do gás foi resolvido por um acordo entre a Petrobras e a empresa do grupo JBS. A pendência vinha desde setembro do ano anterior. A conversa entre Joesley e Temer, na qual o presidente indicou Rodrigo Loures como interlocutor, foi em 7 de março. Feito o contrato com a Petrobras, em 13 de abril, o assessor de Temer recebeu R$ 500 mil no dia 28 do mesmo mês.

Seria apenas uma parcela: segundo conversa gravada entre Loures e Saud, os pagamentos seriam semanais, variando conforme os preços cobrados pelo gás da Petrobras.

Nada a ver com Cunha e seu silêncio, portanto. A questão a ser investigada, sem dúvida, é a de qual o papel de Temer nesse acordo com a Petrobras. As parcelas de R$ 500 mil destinavam-se ao presidente?

A PGR transcreve outras conversas entre Loures e Saud, em que se mencionam vários personagens, como "Ricardo", "Celso", "Edgar" e "Coronel". Seriam possivelmente pessoas que intermediavam pagamentos ilícitos para Temer.

Num trecho comprometedor, RoLoures indica que o "coronel" (provavelmente João Batista Lima Filho) e outro ex-assessor de Temer, José Yunes, já "não podem mais" –entendendo-se que seria necessário arranjar outros intermediários para as propinas oferecidas pela JBS.

Denúncia não é acusação formal: trata-se apenas do pedido para que se abra processo. Após alguns passos em falso iniciais, a suspeita contra Temer se consolida agora.

detalhes questionáveis

Temer vai questionar interpretação da PGR e perícia da Polícia Federal em áudio de Joesley

POR PAINEL


Tudo ou nada 

O Planalto vai apostar em diversas frentes para tentar desqualificar as denúncias de Rodrigo Janot contra Michel Temer. A defesa do presidente vai questionar a interpretação da PGR sobre trechos da conversa entre ele e Joesley Batista, para sustentar que, sem fatos, o procurador-geral se apoiou em ilações. Em outra ofensiva, vai levantar dúvidas sobre a perícia da PF que descartou edição no áudio. Ricardo Molina, que fez laudo para o peemedebista, será escalado para falar do assunto.

Tu o dizes 

Aliados de Temer também vão confrontar o grampo de Joesley Batista com entrevista que o empresário concedeu à “Época”. À publicação, disse que o presidente não tinha cerimônia para pedir dinheiro. Mesmo assim, sustentam, não falou abertamente de valores quando esteve no Jaburu.
Aguardar e conferir Aliados de Temer no Congresso marcaram conversas a partir desta quarta (28) para reavaliar a situação do presidente, já com a denúncia oferecida por Rodrigo Janot em mãos.

Álibi 

Na noite deste domingo (25), às vésperas da apresentação da denúncia da PGR por corrupção passiva o presidente telefonou a senadores. Pediu apoio para a reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado.

Anéis e dedos 

Operadores do mercado financeiro dizem que investidores aguardam o arrefecimento da crise e só esperam uma reforma da Previdência substancial em 2019. O apoio do PIB ao presidente será revisto se, para ficar no cargo, ele abrir a torneira dos gastos.

Amado mestre 

Um grupo de deputados do PSDB desembarcou nesta segunda (26), em São Paulo, para falar com o governador Geraldo Alckmin. Eles pediram ao presidenciável atitude mais incisiva sobre a manutenção do apoio a Temer.

Bom para quem? 

Dirigentes do PSDB chamaram de “constrangedor” o artigo publicado por Fernando Henrique Cardoso na Folha. Dizem que só dois nomes seriam beneficiados por eleição antecipada: Lula e Jair Bolsonaro.

Fui! 

Pessoas próximas dizem que, ao pedir um gesto de “grandeza” de Temer, FHC quis deixar claro que o peemedebista não deve mais contar com ele. A ala que quer o desembarque comemorou.

Para a plateia 

O presidente da OAB, Cláudio Lamachia, cobra que o procurador Deltan Dallagnol apresente os nomes dos que o contrataram para palestras. “A sociedade tem o direito de saber quem são e quanto ele recebe por elas. O princípio da transparência vale para todos.”

O dia seguinte 

A projeção de Lula no último Datafolha deu fôlego aos que pregam a politização do embate com o juiz Sergio Moro. A ordem é reforçar o discurso de que não há provas para condenar o petista e que ele é alvo de perseguição. A tese colou no eleitorado lulista.

Vermelhou 

Ao comentar a pesquisa com aliados, Lula brincou que vive bom momento. A notícia da liderança nos cenários de primeiro turno veio logo após o Corinthians assumir distância recorde dos adversários na dianteira do Brasileirão.

TIROTEIO

O engenheiro que construiu o Titanic disse que nem Deus o afundaria. Agora resta saber quem ficará no navio naufragado do Temer.

DO DEPUTADO JULIO DELGADO (PSB-PE), sobre a fala do presidente nesta segunda (26), antes de ser denunciado, de que “nada destruirá” o governo.

CONTRAPONTO

Se ela dança, eu danço

Em audiência da Comissão de Direitos Humanos, na semana passada, o senador Romário (PSB-RJ) pediu a palavra para incluir um requerimento na pauta.

–Existe um grupo com mais de 20 mil assinaturas para criminalizar o funk, e eu, como carioca nato e eterno funkeiro, faço questão de defender essa bandeira aqui.

O senador Paulo Rocha (PT-AC) não perdeu a oportunidade e perguntou:
— O senhor dança?
–Também! — respondeu Romário, aos risos.

O pedido de audiência para discutir o tema foi aprovado e inclui convites a artistas como Anitta.

vai ser sujo assim lá na casa do...

Delatado, desmentido, denuncia

Bernardo Mello Franco 




Delatado, desmentido, denunciado. Michel Temer levou 40 dias para completar a cadeia dos três Ds. O ciclo se fechou nesta segunda com um fato histórico. Ele se tornou o primeiro presidente brasileiro a ser formalmente acusado de corrupção durante o exercício do cargo.

A delação de Joesley Batista veio à tona em 17 de maio. Além de acusar Temer de pedir propina, o empresário entregou uma fita em que os dois tratavam de assuntos espúrios no porão da residência oficial. Pouco depois da conversa, a polícia flagrou um assessor do presidente recebendo R$ 500 mil em espécie. Ele devolveu o dinheiro e foi preso.

Num país mais sério, o chefe do governo não teria se mantido mais um dia no cargo. Como estamos no Brasil, Temer bateu pé e já resistiu outros 39. Ele chamou o patrocinador que frequentava sua casa de "bandido notório", desafiou o procurador-geral da República e disse ter sido vítima de uma "armação".

Ao se agarrar à cadeira, o presidente passou ao segundo D. Passou a sofrer desmentidos em série, a cada nota oficial atropelada pelos fatos. Num dos episódios, Temer negou ter viajado com a família no jatinho de Joesley. A Aeronáutica se recusou a endossar a falsa versão, e ele foi forçado a admitir a carona.

Na sexta, foi a Polícia Federal quem desmontou o discurso do presidente. Ele repetia que a gravação da JBS era "fraudulenta", e a perícia atestou que o áudio não foi editado.
Com a denúncia da Procuradoria, Temer avança outra casa e passa à fase da guerra total pelo mandato. Agora ele fará de tudo para tentar escapar do quarto D, de derrubado.
*
Depois de confundir reais com cruzeiros, Temer chamou empresários russos de "soviéticos". A URSS acabou em 1991, e o presidente do Brasil lembra cada vez mais a personagem do filme "Adeus, Lenin!" que despertou de um coma sem saber que a Guerra Fria tinha terminado.

s/c

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

O quadro político brasileiro se deteriora lenta e sonambulamente, sem enfrentar resistência das ruas. Mas há um grande momento da verdade chegando, as eleições de 2018.

A democracia é confusa, mas é a única opção para o brasileiro não otário

Celso Rocha de Barros 



O quadro político brasileiro se deteriora lenta e sonambulamente, sem enfrentar resistência das ruas. Mas há um grande momento da verdade chegando, as eleições de 2018.

Pela primeira vez desde o impeachment, a opinião do eleitor voltará a ter importância. O eleitorado é fortemente pró-Lava Jato. As reformas econômicas também terão que ser temperadas com concessões ou promessas críveis de crescimento robusto. Não será fácil conduzir a política em 2018 só em gabinetes de Brasília e congressos empresariais, como ela foi conduzida desde 2015.

Mas 2018 será mesmo uma ruptura? É difícil saber, e é aconselhável administrar bem as expectativas.

A situação atual brasileira é uma espécie de transição de sistema econômico, de um capitalismo de compadrio para sabe-se-lá-o-quê. Nenhuma transição desse tipo rompeu inteiramente com os quadros do antigo regime de uma hora para outra. Mesmo que haja uma renovação, quadros do velho fisiologismo continuarão importantes, e será necessário tentar converter gente que começou na política como picareta às novas regras.

O crucial é que as novas regras sejam, de fato, implantadas, e que as investigações (e punições) não parem.

No caso das transições pós-comunistas, o cientista político Joel Hellman apontou para o risco da sub-reforma, que foi o que acabou prevalecendo na região da antiga União Soviética (mas não em outros países pós-comunistas): os vencedores da primeira rodada de reformas podem parar o processo no meio, enquanto estão ganhando.

Se, como resultado da Lava Jato, algo como um grande PMDB passar a governar o Brasil, teremos ficado presos na armadilha da sub-reforma. É notável, aliás, como a crise de PT e PSDB fortaleceu muito mais as velhas estruturas que os parasitavam do que alternativas reais e mais modernas.
Mas digamos que, em 2018, um programa de renovação vença. O novo governo precisará formar uma coalizão para governar. Com que apoio no Congresso, entre governadores e prefeitos, entre empresários e sindicatos, administrará o país? É absolutamente impossível que toda essa gente passe imediatamente para a órbita do outsider (podem, é claro, mentir que passaram).

Devemos, portanto, estar prontos para administrar uma série de equilíbrios temporários entre o velho fisiologismo e a renovação política. Isso, aliás, também é verdade caso PT e PSDB se renovem por troca de gerações. A esperança é que cada equilíbrio seja mais favorável à renovação do que o anterior, e que o processo ande tão rápido quanto possível.

O primeiro critério para votar bem em 2018 é, portanto, escolher alguém disposto a administrar essa tensão dentro das regras democráticas. Votar no sujeito que vai quebrar tudo que está aí costuma ser votar pela última vez. A democracia é bagunçada e confusa, mas é a única opção disponível para o brasileiro não otário. Só na democracia juízes e policiais trabalham sem medo do governo.

A transição para além do capitalismo de compadrio pode ser difícil, mas é exatamente a que precisa ser feita no Brasil. Se estivermos falando sério sobre construir um país desenvolvido, precisaremos administrá-la como adultos. Se, sob Temer, o risco é nossa apatia, no pós-Temer o risco pode ser o excesso de expectativas.

Diz-se do pequeno golpe, praticado de maneira amadora, geralmente pelos outros.

Dicionário da Mutreta - alguém precisava organizar essa bagunça

Gregorio Duvivier



Tramoia: N. Fem. Diz-se do esquema no qual você não está incluído. Distingue-se do trambique pelo profissionalismo. Etimologia: deriva da palavra "tramar" e pressupõe certo requinte.

Trambique: N. Masc. Diz-se do pequeno golpe, praticado de maneira amadora, geralmente pelos outros.

Mamata: N. Masc. Diz-se do esquema do qual usufrui-se com regularidade, e há muito tempo. A mamata, ao contrário do trambique e da tramoia, pressupõe antiguidade e frequência. Não se "comete" mamata mas se "tem" mamatas. Ex.: "Fulana não quis casar no civil porque recebe pensão do pai e não quer perder a mamata".

Mutreta: N. Masc. Espécie de trambique geralmente praticado contra o Estado, logo eticamente perdoável. Ex.: "Alguém conhece alguma mutretinha pra pagar menos imposto?"

Maracutaia: N. Fem. Irregularidade de proporções escandalosas, o equivalente a uma dúzia de tramoias que, juntas, tomaram proporções épicas.

Propina: N. Fem. Suborno com mais de três dígitos.

Propinoduto: N. Masc. Canal de pagamento para a propina, quando esta atinge mais de seis dígitos.

Esquema: N. Masc. Tramoia do ponto de vista daquele que participa dela. Ex. "Como faço pra entrar nesse esquema?" "Desculpe, não tem como." "Nesse caso, vou ter que denunciar essa tramoia"

Pacto: N. Masc. Tramoia quando usada para acobertar outras tramoias. "A gente precisa de um pacto nacional, com Supremo, com tudo."

Bandalheira: N. Fem. Maracutaia sem pudor, feita de forma descarada.

Negociata: N. Fem. Diz-se da mutreta quando vintage. Para que se ocorra uma negociata é preciso que todos os negociantes estejam vestindo terno. Senão, é simples mutreta.

Falcatrua: N. Fem. Desfalque intermediário: não tão simples quanto um trambique e nem tão complexo quanto uma maracutaia.

Muamba: N. Fem. Importação que não passa pela alfândega, muitas vezes com a parceria da alfândega ou feita pela própria alfândega.

Faz-me-rir: N. Masc. Suborno de dois dígitos. "Essa multa aqui a gente resolve com um faz-me-rir".

Guaraná: N. Masc. Suborno de um dígito. "Pode parar o carro aqui sim, é só fortalecer o guaraná do colega"

Fortalecer: Verbo. Ato ou efeito de arredondar pra cima um valor estabelecido. "É 80 mas fecha em 100 pra dar aquela fortalecida."

Movimento: N. Masc. Diz-se de grupo dedicado exclusivamente à mutreta. Ex.: Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

"O que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé".

Permanência de Temer  no poder é veneno para a política no país 

Uirá Machado 


Que Michel Temer é um desastre político para si próprio os brasileiros sabem há bastante tempo. A nova rodada do Datafolha apenas mostrou que, no quesito popularidade presidencial, o peemedebista tem plenas condições de batalhar pelo recorde negativo.

A mesma pesquisa indicou fato muito mais grave: a permanência de Temer no Planalto equivale a um veneno político para o país, e é difícil imaginar que as propaladas reformas econômicas possam trazer a cura no curto prazo.

O primeiro sinal está no contágio da autoestima nacional. A vergonha ser brasileiro supera o orgulho para a metade (47%) dos entrevistados, o maior patamar já verificado pelo instituto. Essa taxa era de 28% em dezembro e 34% em abril.

Mais importante, o apreço pelas instituições de representação democrática se deteriorou ainda mais, embora isso parecesse quase impossível.

Desde abril, pelo menos, no máximo 5% da população diz "confiar muito" na Presidência da República, no Congresso nacional ou nos partidos políticos. O índice, até por limitação matemática, piorou pouco nos últimos dois meses.

No período, no entanto, encolheu a fatia dos que afirmam "confiar um pouco" nessas instituições e aumentou a dos que dizem "não confiar" nelas. Este último grupo hoje reúne dois terços dos brasileiros.

Impossível dissociar o fenômeno do papel ridículo que tais entes têm feito para preservar Temer e salvar a própria pele.
As mesmas perguntas foram feitas em relação a dez instituições, incluindo Judiciário e Ministério Público. Na liderança na classificação das mais confiáveis estão as Forças Armadas, a única que ostenta mais respostas "confia muito" (40%) do que "não confia" (15%).

Nesse cenário de terra arrasada política e degradação do respeito pelas instituições democráticas, não deveria surpreender que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) avance na preferência dos eleitores para 2018. O militar da reserva saiu de 5% das intenções de voto em fins de 2015 para 16% agora.

Outra pesquisa do Datafolha, feita com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, acrescenta cores preocupantes a esse quadro, conforme ensaio publicado na "Ilustríssima".

Nada menos que 69% dos brasileiros adultos concordam com a seguinte frase: "O que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé".

Sempre soam improváveis os cenários catastrofistas criados em tempos que, embora conturbados, não chegam a ser desesperadores.

Vale o alerta, porém, do historiador Timothy Snyder, autor do livro "Sobre a Tirania". Ele lembra que a maior parte das pessoas que votaram em embriões de governos totalitários não se dava conta de que exercia o sufrágio pela última vez. 

ora, vejam só!

Apelo ao bom senso

FHC 

As dificuldades políticas pelas quais passamos têm claros efeitos sobre a conjuntura econômica e vêm se agravando a cada dia. Precisamos resolvê-las respeitando dois pontos fundamentais: a Constituição e o bem-estar do povo.

Mormente agora, com 14 milhões de desempregados no país, urge restabelecer a confiança entre os brasileiros para que o crescimento econômico seja retomado.

A confiança e a legalidade devem ser nossos marcos. A sociedade desconfia do Estado, e o povo descrê do poder e dos poderosos. Estes tiveram a confiabilidade destruída porque a Operação Lava Jato e outros processos desnudaram os laços entre corrupção e vitórias eleitorais, bem como mostraram o enriquecimento pessoal de políticos.
Não se deve nem se pode passar uma borracha nos fatos para apagá-los da memória das pessoas e livrar os responsáveis por eles da devida penalização.

A Justiça ganha preeminência: há de ser feita sem vinganças, mas também sem leniência com os interesses políticos. Que se coíbam os excessos quando os houver, vindos de quem venham –de funcionários, de políticos, de promotores ou de juízes. Mas não se tolha a Justiça.

Disse reiteradas vezes que o governo de Michel Temer (PMDB) atravessaria uma pinguela, como o de Itamar Franco (1992-1994).

Colaborei ativamente com o governo Itamar, apoiei o atual. Ambos com pouco tempo para resolver grandes questões pendentes de natureza diferente: num caso, o desafio central era a inflação; agora é a retomada do crescimento, que necessita das reformas congressuais.

Nunca neguei os avanços obtidos pela administração Temer no Congresso Nacional ao aprovar algumas delas, nem deixo de gabar seus méritos nos avanços em setores econômicos. Não me posiciono, portanto, ao lado dos que atacam o atual governo para desgastá-lo.

Não obstante, o apoio da sociedade e o consentimento popular ao governo se diluem em função das questões morais justa ou injustamente levantadas nas investigações e difundidas pela mídia convencional e social.

É certo que a crítica ao governo envolve todo tipo de interesse. Nela se juntam a propensão ao escândalo por parte da mídia, a pós-verdade das redes de internet, os interesses corporativos fortíssimos contra as reformas e a sanha purificadora de alguns setores do Ministério Público.

Com isso, o dia a dia do governo se tornou difícil. Os governantes dedicam um esforço enorme para apagar incêndios e ainda precisam assegurar a maioria congressual, nem sempre conseguida, para aprovar as medidas necessárias à retomada do crescimento.

Em síntese: o horizonte político está toldado, e o governo, ainda que se mantenha, terá enorme dificuldade para fazer o necessário em benefício do povo.

Coloca-se a questão agônica do que fazer.

Diferentemente de outras crises que vivemos, nesta não existe um "lado de lá" pronto para assumir o governo federal, com um programa apoiado por grupos de poder na sociedade.

Mais ainda, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) declarou que as eleições de 2014 não mostraram "abusos de poder econômico" (!) [em julgamento encerrado no dia 9 de junho, não há como questionar legalmente o mando presidencial e fazer a sucessão por eleições indiretas.

Ainda que a decisão tivesse sido a oposta, com que legitimidade alguém governaria tendo seu poder emanado de um Congresso que também está em causa?

É certo que o STF (Supremo Tribunal Federal) pode decidir contra o acórdão do TSE, coisa pouco provável. Em qualquer caso, permaneceria a dúvida sobre a legitimidade, não a legalidade, do sucessor.

Resta no arsenal jurídico e constitucional a eventual demanda do procurador-geral da República pedindo a suspensão do mandato presidencial por até seis meses [a iniciativa precisa ser aprovada por dois terços dos deputados] para que se julgue se houve crime de improbidade ou de obstrução de Justiça.

Seriam meses caóticos até chegar-se à absolvição [pelos ministros do STF] –caso em que a volta de um presidente alquebrado pouco poderia fazer para dirigir o país- ou a novas eleições. Só que estas se dariam no quadro partidário atual, com muitas lideranças judicialmente questionadas.

Nem assim, portanto, as incertezas diminuiriam –nem tampouco a descrença popular.

O imbróglio é grande.

Neste quadro, o presidente Michel Temer tem a responsabilidade e talvez a possibilidade de oferecer ao país um caminho mais venturoso, antes que o atual centro político esteja exaurido, deixando as forças que apoiam as reformas esmagadas entre dois extremos, à esquerda e à direita.

Bloqueados os meios constitucionais para a mudança de governo e aumentando a descrença popular, só o presidente tem legitimidade para reduzir o próprio mandato, propondo, por si ou por seus líderes, uma proposta de emenda à Constituição que abra espaço para as modificações em causa.

Qualquer tentativa de emenda para interromper um mandato externa à decisão presidencial soará como um golpe.

Não há como fazer eleições diretas respeitando a Constituição Federal; forçá-las teria enorme custo para a democracia.

Por outro lado, as eleições "Diretas-Já" não resolvem as demais questões institucionais, tais como a necessária alteração dos prazos para desincompatibilização [de cargos públicos e eletivos por parte de possíveis postulantes], eventuais candidaturas avulsas, aprovar a cláusula de barreira e a proibição de alianças entre partidos nas eleições proporcionais. Sem falar no debate sobre quem paga os custos da democracia.

Se o ímpeto de reforma política for grande, por que não envolver nela uma alteração do mandato presidencial para cinco anos sem reeleição? E, talvez, discutir a oportunidade de antecipar também as eleições congressuais. Assim se poderia criar um novo clima político no país.

Apelo, portanto, ao presidente para que medite sobre a oportunidade de um gesto dessa grandeza, com o qual ganhará a anuência da sociedade para conduzir a reforma política e presidir as novas eleições.

Quanto tempo se requer para aprovar uma proposta de emenda à Constituição e redefinir as regras político-partidárias? De seis a nove meses, quem sabe?

Abrir-se-ia assim uma vereda de esperança e ainda seria possível que a história reconhecesse os méritos do autor de uma proposta política de trégua nacional, sem conchavos, e se evitasse uma derrocada imerecida.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO foi presidente do Brasil (1995-2002) pelo PSDB.

O governo Temer, sem rumo, agoniza na Esplanada expondo falhas de estratégia, erros primários de comunicação, agenda internacional desprezível, e deslizes...

Governo Temer agoniza, não reage e comete erros primários 

Leandro Colon 



Sábado, 13h. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, marca uma entrevista de última hora. Fala por menos de três minutos, foge das perguntas dos repórteres e deixa sozinho à mesa o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.

Episódios constrangedores e de comunicação desastrosa sobram no governo de Michel Temer, mas esse merece um lugar cativo: um ministro convoca a imprensa para bancar a permanência de quem ele já decidiu trocar, faltando apenas coragem para fazê-lo. Aos jornalistas o mesmo ministro evita garantir Daiello na direção da PF e ainda o abandona na frente das câmeras.

O governo Temer vive dias de pré-queda do governo Dilma Rousseff. Sem rumo, agoniza na Esplanada expondo falhas de estratégia, erros primários de comunicação, agenda internacional desprezível, e deslizes em votações essenciais como a da reforma trabalhista no Senado.

Depois de uma retomada de fôlego político nas semanas seguintes à revelação da delação da JBS, Temer termina o mês de junho em seu pior momento desde a divulgação do áudio do encontro com Joesley Batista.

Das ruas, o apoiou minguou, conforme mostra o Datafolha. Além dos pífios 7% de ótimo ou bom, em um ano subiu de 31% para 69% a avaliação "ruim ou péssimo" sobre o governo. Caiu de 42% para 23% a parcela que vê a gestão como "regular".

É diante deste cenário que a Procuradoria-Geral da República denunciará o presidente logo mais -no mínimo por corrupção passiva- em razão de sua relação com a JBS.

Impopular, investigado, provavelmente denunciado, e cada vez mais isolado, Temer não demonstra reação política. Aposta tudo na suposta fidelidade de uma base no Congresso e no discurso de que ele, Temer, é essencial na condução das reformas. O governo ficará inviável quando a mesma base perceber que o presidente se transformou em um problema e que não precisa mais dele no Planalto para aprová-las. 

detalhes de um impacto não combinado com o capital

Lava Jato estuda como preservar bancos do impacto da delação de Palocci

Mônica Bergamo

A força-tarefa da Operação Lava Jato está apreensiva com o impacto da delação de Antonio Palocci no sistema financeiro do país. Estuda uma forma de, ao contrário do que ocorreu com as empreiteiras, preservar as instituições e os empregos que geram.

HISTÓRIA

A mesma preocupação tem sido demonstrada pelo próprio Palocci nas conversas com os procuradores. Ex-ministro da Fazenda, ele tem ponderado que seria importante separar os bancos, como empresas, dos executivos que cometeram crimes.

PONTO FINAL

Uma das ideias que já circularam seria a de se promover uma complexa negociação com os bancos antes ainda da divulgação completa dos termos da delação de Palocci. Quando eles viessem a público, as instituições financeiras já teriam feito acordos de leniência com o Banco Central, pagando as multas e liquidando o assunto. Isso em tese evitaria turbulências de proporções ainda maiores do que as inevitáveis.

AMPULHETA

A dificuldade é como fazer isso em tempo exíguo, já que a negociação com Palocci para a delação premiada está em etapa avançada.

VENDAVAL

Empreiteiras como a Odebrecht sofreram graves consequências quando os escândalos em relação a elas se tornaram públicos. Tiveram que demitir em larga escala, paralisaram atividades, enfrentaram problemas de financiamento e se desfizeram de patrimônio. Algo parecido ocorre agora com a JBS.

DE TUDO UM POUCO

Maria Alcina cantará músicas dos anos 1960 aos anos 2000 no show de lançamento do disco "Espírito de Tudo", em que interpreta canções de Caetano Veloso; a apresentação será no Sesc Pompeia, na quarta (28).

ADEGA

O jantar de encerramento do 12º Congresso de Jornalismo Investigativo da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) será oferecido pelo McDonald's, patrocinador do evento. Os pratos servidos na noite serão harmonizados com vinhos selecionados pela sommelier Alexandra Corvo.

RIR COM GOSTO

Tatá Werneck e Marco Luque foram alguns dos comediantes vencedores do Grande Prêmio Risadaria Smiles do Humor Brasileiro. O apresentador Serginho Groisman, o humorista Marcius Melhem, o músico Derico e a cantora Fernanda Abreu estiveram na cerimônia de entrega, na quinta (22), no Auditório Ibirapuera.

ESTADO DA ARTE

O impasse sobre o anexo do Masp, prédio vizinho ao museu que deveria ser usado pela instituição, virou alvo de processo da Associação Preserva São Paulo. A entidade de defesa do patrimônio histórico e paisagístico entrou com ação civil pública na Justiça pedindo que o museu conclua a reforma do edifício Dumont-Adams. Diz que a obra, interrompida em 2013, deixou o imóvel "semidestruído".

TELA DE PROTEÇÃO

A Preserva SP —que chama o local de "ruína abandonada que enfeia" a avenida Paulista— requer também pagamento de indenização por dano moral coletivo. E pede que recursos captados via Lei Rouanet para a revitalização sejam devolvidos. Segundo a ação, foram R$ 14 milhões doados por quatro empresas. O prédio foi comprado pela Vivo em 2006 e cedido ao museu, num acordo que chegou a deixar o Masp devendo R$ 40 milhões à operadora.

EM DEBATE

O Museu de Arte de São Paulo, via assessoria, diz que ainda não foi notificado da ação. Afirma que a dívida com a Vivo "foi sanada no fim de 2015 e não há atualmente nenhuma pendência legal em relação ao prédio". No momento, segundo o Masp, o "programa de uso do edifício está sendo debatido em diversas instâncias do museu".

NOVA LUZ

Uma das saídas da Osesp para economizar dinheiro em época de crise na cultura foi trocar todas as luzes internas da Sala São Paulo, no centro, por lâmpadas de LED. O consumo de energia com a iluminação do teto caiu 67% e com a iluminação das colunas, 93%. A mudança foi feita sem custo, a partir de parceria com uma empresa privada.

CURTO-CIRCUITO

Constance Zahn lança "O Guia Essencial de Casamento", nesta segunda (26), no Nonno Ruggero.

O enólogo português Osvaldo Amado comanda jantar harmonizado, nesta segunda (26), no Rancho Português.

"Primeiro Passo", rap de Nathan Silva, aluno da rede estadual campeão do concurso Vozes pela Igualdade de Gênero, será lançado nesta segunda (26).

A Bráz Elettrica, pizzaria da rede Bráz, será inaugurada nesta segunda (26), em Pinheiros.

que puta confusão.

Proposta de licença do mandato foi feita a Temer por grupo palaciano

Licença manteria o foro privilegiado de Temer
Brasil de 2017 parece o de Vargas em 1954
Getúlio Vargas reunido com seu ministério no Rio de Janeiro, em 1942via Instituto Durango Duarte

1954

É claro que ninguém almeja, ou sequer imagina, a possibilidade de um desfecho trágico como o daquela manhã de 24 de agosto na qual Getúlio Vargas entrou de vez na História ao dar fim à crise política atirando contra o próprio peito. O gesto dramaticamente trágico teve a força de derrotar a oposição, paralisar por quase uma década o avanço golpista de setores militares e assegurar uma transição democrática do poder para um presidente legitimamente eleito –Juscelino Kubitscheck. Mas há algo no ar de Brasília lembrando o Rio de Janeiro de há 63 anos.
Horas depois do desembarque de Michel Temer na capital, no regresso da desastrosa viagem à Rússia e à Noruega, foi sugerida a ele uma solução intermediária entre a renúncia e o enfrentamento das denúncias do Ministério Público que podem levá-lo à cassação na Câmara: a licença do mandato por seis meses.
A proposta está sobre a mesa de despachos do 3º andar do Palácio do Planalto e é saída considerada viável pelo grupo palaciano porque a contabilidade de votos contrários à denúncia é declinante. Hoje, o Planalto não conta como certos os votos de sequer 200 deputados que podem se posicionar contra as alegações de corrupção, obstrução e de Justiça e lavagem de dinheiro que deverão ser feitas pelo MP.
Na lógica descrita pelos advogados da causa a licença acalmaria de imediato alguns ânimos. Temer, contudo, foi advertido de que o relógio da denúncia seguirá correndo em ritmo acelerado e a data fatal do mandato que assumiu com a deposição de Dilma Rousseff não virá necessariamente dentro dos seis meses negociados – poderá chegar antes.
Licenciado, entretanto, ele permaneceria no Palácio do Jaburu, conservaria uma assessoria mínima e, sobretudo, manteria o foro privilegiado. Com um eventual novo governo instalado no Palácio do Planalto, ainda que nominalmente transitório e naturalmente com características de “parlamentarismo branco”, posto que comandado pelo presidente da Câmara e tendo como braço operacional no Congresso o presidente do Senado, os holofotes se dividiriam entre o ocaso do chefe afastado do Executivo e os primeiros passos de uma nova equipe – mesmo que venha a ser, em larga medida, integrada pelos nomes atuais, com trocas pontuais. Um novo governo, liderado por grupo que promovesse alteração radical nos integrantes do Palácio do Planalto, disporia de gás renovado para tocar a agenda de reformas.
Em 1954, ante a inevitável convocação do irmão Benjamin Vargas para depor na comissão de inquérito formada por oficiais da Aeronáutica e depois de se descobrir inapelavelmente tragado pela conspiração urdida dentro do Palácio do Catete na trama do atentado a Carlos Lacerda, o presidente Vargas aceitou o pedido de licença do cargo. Afastar-se-ia da Presidência por um período limitado, garantia as investigações e voltaria para presidir a eleição de seu sucessor, transmitindo-lhe a faixa. Esse era o enredo combinado em reunião que varou a madrugada do fatídico 24 de agosto.
Contudo, o ministro da Guerra, general Zenóbio da Costa, e o vice-presidente Café Filho passaram a militares e a aliados políticos e do meio empresarial a informação – urdida por eles – de que a licença era só a véspera da deposição. Asseguraram aos interlocutores o bloqueio de qualquer possibilidade de regresso de Getúlio à cadeira presidencial. A constatação da traição, e a inevitabilidade da humilhação de ser ver deposto pela segunda vez, deram a Vargas as razões que buscava para puxar o gatilho contra si.
O legado varguista estava construído nos 15 anos de seu período ditatorial – desde a ascensão ao poder com a Revolução de 1930 até a queda em 1945 – e mesmo no conturbado regresso por meios democráticos na eleição de 1950. Não é isso o que está em jogo agora. Logo, é de supor que Temer tenha noção da disparidade entre a dimensão histórica de Vargas e o papel lateral que lhe está destinado nos relatos históricos desses dias estranhos que ora vivemos. Em razão disso, ganha força e espaço a ideia da licença como forma de impor paulatinamente uma solução de continuidade ao período palaciano de Michel Temer, fazendo-o acostumar-se à dura realidade que parece lhe reservar o veredito de uma votação na Câmara a ocorrer com voto aberto e sob pressão da total ausência de defensores na sociedade.
Desnecessário lembrar a gravidade do momento. É hora de ressaltar as convergências e arquivar, em alguma medida, as divergências. E também de escutar possíveis antagonista sob um prisma tridimensional, fracionando opiniões e projetos com os quais não se concorde e procurando reservar e realçar o lado prático de atos e de declarações destinados a promover o entendimento. Vozes dentro do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal têm feito esforço de sintonia nesse sentido. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, Eunício Oliveira, presidente do Senado, Gilmar Mendes, presidente do TSE, e Luiz Fux, vice-presidente do STF, portam-se como mestres-de-obras engajados na construção de alicerces sólidos para se erguer um viaduto capaz de transpor o Brasil do charco em que se encontra nesse confuso 2017 até o porto seguro da saída legítima chancelada pelas urnas de 2018. Há outros obreiros, mas esse quarteto se destaca pelo papel institucional que detêm.